sexta-feira, 8 de junho de 2018
domingo, 3 de junho de 2018
sexta-feira, 11 de maio de 2018
domingo, 6 de maio de 2018
Mãe Norinha do Oxalá, partiu para a ancestralidade divina de resistência negra de matriz africana. Está fechado o ciclo de quem trouxe consigo um legado de fazer e deixar história com fatos marcantes, sem blefes. postou sua presença na linha de frente do embate público enfrentando questões sociais crônicas e emblemáticas. Nesse mundo que desfazer de ícones, simploriamente, é regra, ela representou o início de um período de mobilizações do Povo de Santo do RS que influenciou organizações contra a intolerância religiosa em todo o Brasil. No final da década de 90, essa senhora começou a alertar várias lideranças políticas sobre as ações articuladas de neopentecostais contra o povo de terreiro. Foi a primeira pessoa que me procurou na Assembleia Legislativa e denunciou o intuito do Código em Defesa dos Animais em proibir a sacralização nos rituais africanos. Esse projeto foi apresentado pelo Deputado Manoel Maria, (PTB) aprovado em 2003 e derrubado pelo projeto, 12.131-04 do Deputado Edson Portilho, PT, e membro do MNU- Movimento Negro Unificado. Realizamos várias audiências públicas, plenárias e caminhas em todo o Rio Grande do Sul. Sem dúvida, foi o início contemporâneo de uma atitude política de conscientização existencial africanista nunca vista, pelo menos antes da ditadura militar. Somos carentes de registro desse tipo de mobilização na história do Brasil, sem deméritos, aqui no sul Mãe Norinha de Oxalá entrelaçou na pauta dos movimentos sociais uma luta que não ecoava com tanta ressonância por conta da repressão política e violência policial. A concepção judaico-cristã de sociedade, o etnocentrismo, a colonização ítalo-germânica, o racismo; tudo conspirava contra a capacidade de organizar mobilizações num segmento muito oprimido a partir das relações eugenistas entre o bem e o mal, o negro e o branco, a África e a Europa, o espoliado e o colonizador. Nesse período comecei a conviver com muitas pessoas com guias e indumentárias africanas nas ruas e espaços públicos. Outras que se iniciaram na religião, foi algo incandescente e repleto de energia. Surgiram lideranças de matizes , partidos e classes diferentes. Negros e brancos atordoados com a possibilidade da supressão dos rituais sagrados. Quando houve a segunda tentativa de repressão que suprimiria a sacralização em 2015 eclodiu o Projeto, 21-05, da Deputado Estadual, Regina Becker Fortunati, PDT, porém o movimento africanista estava coesso e articulado e rechaçou a proposta de forma avassaladora, Mão Norinha estava lá novamente como uma das principais lideranças. No mês passado ela me ligou convidando para tomarmos um café; eu, ela, Nenê e Carmem conversamos sobre a sua ideia de produzir um documentário sobre Histórias Africanistas Porto-Alegrenses não contadas. Começamos a projetar sobre o assunto, no próximo dia 11-05, estaríamos juntos na mesa de debate após a exibição do filme "Bará do Mercado" que ela idealizou. Notei nas redes sociais que meu nome estava entre os debatedores, ela tinha colocado. Durante a campanha de reeleição do Portilho vi essa senhora rolar de uma ladeira e parar em minha frente logo embaixo, ela resvalou e quando parou pediu-me a mão e levantou-se, sorrimos muito e continuamos a militar caminhando pelos bairros populares da cidade, ela era incansável. Essa senhora teve uma papel sagrado preponderante na conquista do primeiro Quilombo Urbano do Brasil, a "Família Silva". Lá, nossos ancestrais tiveram o tempo todo conosco e ficarão para sempre. Juntos fundamos o CEDRAB- Congregação em Defesa das Religiões Afro-Brasileiras. Era era nossa matriarca do MNU. Agradeço aos seus conselhos e preces que me afastaram das incertezas e maldades que cercaram a minha vida. Suas orientações abriram meus olhos estavam sempre certas, nos momentos de dificuldades presenciei essa mulher suando muito quando descarregava toda negatividade que meu corpo carregava dessa vida onde relações, ás vezes, são maléficas e transportadas entre os indivíduos. Ela me restaurava e eu saia feliz da Vila Nova. Nunca esquecerei da última conversa que tive há dias atrás.... Reconhecem alguém e ser reconhecido, esse foi o pilar de minha convivência com Mãe Norinha de Oxalá ! Salve Guerreira ! Continuaremos a nossa luta ! O sepultamento será hoje, 06-05-18, 17:30, Cemitério Ecumênico João XXIII, avenida Natal , 60, Medianeira.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2018
quinta-feira, 18 de janeiro de 2018
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